quinta-feira, 23 de junho de 2011

Literatura de Cordel

Nosso Blog

No curso de Pedagogia
Decidimos montar
Um projeto dedicado
À cultura popular
Dentro do tema Leitura Literária
O mesmo deve estar

Professora Célia Abicalil
Nos deu liberdade para criar
Dentro do tema abordado
Resolvemos um blog dedicar
À disciplina específica
E a todos ajudar
Alunos de Pedagogia
E a quem mais interessar
Venham ler a Literatura de Cordel
E dela se apropriar
Pois faz parte da nossa cultura
Esta poesia popular


Sobre Literatura Infantil
Não vamos aprofundar
Pois tem um Blog específico
Basta você clicar
No Link logo abaixo
Que você vai se encantar  

Façam parte deste projeto
Não deixem acabar
Pois é muito interessante
Vamos acessar e postar
O que os poetas escrevem
Vale a pena divulgar
 
 



Não basta como na chamada Literatura “culta”, ler livros, meditar sobre eles, para conhecer a literatura de cordel. A simples coleção de folhetos, por mais criteriosa que seja, não basta para ensinar literatura de cordel a um intelectual ou a um simples curioso que venha de fora, pois por força de sua própria cultura e formação, tais pessoas não pertencem ao mundo da literatura popular em verso. É preciso, portanto, tentar compreender esse mundo, passando por um longo processo de aprendizagem. Assim, nem o folheto em si e muito menos um texto erudito que a ele se refira eliminariam a necessidade de se estabelecer um contato direto com tudo aquilo que está ligado à literatura de cordel.   
   
Nada substitui, por exemplo, uma andança pelo Nordeste, por sua exuberante vegetação litorânea, ou pela esturricada paisagem do sertão; pelo verde molhado das canas e águas clara das serras; pela verdadeira festa de cores e sons de suas feiras; e também pela tristeza e hospitalidade de seu povo. Uma busca de material de cordel pelo Nordeste causa um impacto no pesquisador que mora no sul. Tudo é muito interessante: conversar com os tipos simples do povo; parar junto às bancas dos folheteiros, onde alguns não são bancas, são apenas um pedaço de chão, à sombra de um guarda-sol, como a grande banca de seu Arthur, distribuído regional em Maceió, ou a de seu colega de Recife

Literatura de cordel, muitas histórias ....
Quando se fala de literatura brasileira ou qualquer outra, geralmente se aborda a literatura dos “grandes escritores”, isto é, como diria toda faixa de público que não tem acesso a tais obras. Extensíssima no Brasil, essa faixa não conhece a literatura “oficial”.
Mas não é preciso ter tido acesso à cartilha para gostar de contar e ouvir histórias... Em todo o mundo, desde tempos imemoráveis, à grande tradição da literatura escrita culta correspondeu sempre, em todas as culturas, a pequena tradição oral de contar. Às vezes porém, o contador pegava lápis e papel e se punha a escrever, ou a ditar o que já havia tempo em sua memória, ou o que de novo inventava, ampliando um pouco o seu público.
Quando surgiram as máquinas impressoras, a divulgação dessas obras de pequena tradição literária estendeu-se a um número maior de leitores. Algumas eram escritas em prosa; a maioria, porém, aparecia em versos, pois era mais fácil, a um público analfabeto, decorar versos e mais versos, lidos por alguém.
Esta foi a trajetória daquilo que se chamou, na França, literatura de colportage (mascate); na Inglaterra, chap-book ou balada; na Espanha, pliego suelto;  em Portugal literatura de cordel ou folhas volantes.
No Brasil, e também na América espanhol, a mesma trajetória foi seguida. Também aqui se conta e se canta, em prosa e verso. Há, em todo país, uma longa tradição e a presença sempre atuante de cantorias, improvisos e desafios: os poetas populares dizem, em versos, suas mágoas, alegrias, esperanças e desesperos do dia-a-dia.
Esta atividade literária adquiriu características próprias no Nordeste brasileiro, muito provavelmente pelas condições da região, que fazem dela, até hoje, um foco especialmente rico em manifestações culturais populares. Reintroduzindo a denominação portuguesa, os estudiosos chamam essa literatura popular em versos de literatura de cordel. Mas, seus produtores e consumidores nordestinos chamam-na simplesmente de folhetos. O público apreciador dessa literatura é geralmente constituído pelas camadas humildes da população rural ou urbana; mas há também leitores de classes mais elevadas que a admiram. E já foram comprovados casos de pessoas que aprenderam a ler com os folhetos de cordel.
O folheto é um livrinho geralmente impresso em papel-jornal, com número variado de páginas, sempre múltiplas de quatro. Os tipos são: folhetos noticiosos que contam fatos acontecidos, pelejas e folhetos de época, conhecidos também de folhetos de ocasião. Romances narram uma história de ficção, romances de animais encantados, romances de amor, sofrimentos.
Exemplo de folhetos de romances:
                                                                   “Este caso meus leitores
                                                                    É  de causar piedade
                                                                    Tem amor, ódio, e tragédia,
                                                                    Castigo e deslealdade
                                                                    Por isto eu o intitulei 
                                                                    Entre o Amor e a Falsidade”.
Exemplo de folhetos de época:

Pronto aqui meus bons leitores
Um livro feito na hora
Demonstrando as novidades
Que se dá de mundo afora
Quem ainda não conhece
Vai conhecer tudo agora.


Panorama da época – o fluir da poesia popular
A literatura de cordel consolidou-se entre as décadas de 30 a 50. De início rimaram-se e versificaram-se as histórias, as lendas e os exemplos de moral, que já vinham de longínqua tradição, modificados, porém, pelas condições específicas da vida nordestina.

A área de divulgação do cordel ultrapassa de muito a sua área de produção, de início Pernambuco e Paraíba. Entre 1904 e 1930, já existiam 21 tipografias que imprimiam folhetos.

No Ceará, com o desenvolvimento do sertão fértil do Cariri, graças ao Padre Cícero, amplia-se também o circuito de produção e impressão de cordel. Uma das mais importantes gráficas do nordeste, atuante até hoje, localiza-se em Juazeiro e pertence à família de José Bernardo da Silva.

As migrações dos nordestinos para o centro-sul condicionam igual migração do folheto. Quanto às notícias reescritas em verso, continuam a interessar, apesar do rádio e do jornal.

A década de 1940 a 1950 foi, apesar da censura, foi muito favorável ao cordel. Isto se confirma pelo interesse das camadas populares pela vida política do país, pelo sucesso de venda e altíssimas tiragens de toda a literatura ligada a Getúlio Vargas. O cordel acompanhou todos os passos de Getúlio Vargas em sua vida política, até a sua morte. Também constituíram sucessos de folhetos  dedicados ao governador  de Pernambuco, Agamenon Magalhães, principalmente por ocasião de sua morte.

Na década de 1960 o declínio do cordel. Entre 1960 e 1970, registrou-se séria crise no cordel. Um dos fatores incontestável foi o fator econômico, a inflação nacional.  A televisão é apontada também como um fator que colaborou com a crise do cordel por ser um moderno meio de comunicação, mas que está longe de atingir as massas carentes grandes consumidoras de cordel.  Há outros elementos que contribuíram para o declínio do cordel tais como: a falta de participação popular na vida pública, a auto-censura dos poetas; novas modas para os jovens gerando concorrência; os impostos para serem pagos do chão da feira; vários poetas que aderiram ao Protestantismo, que não podendo mentir, procuram outros ofícios.

Na década de 70, prenúncios de ressurgimento. Na década de 1970, uma nova fase na produção de cordel, assinala por um razoável aumento das tiragens. As tipografias voltam a ter uma produção que chaga a atingir a tiragem de 12.000 folhetos. Paradoxalmente, porém esse surto ocorreu não porque houvesse um substancial aumento do público tradicional de cordel, mas devido ao crescente interesse por este gênero literário, principalmente para estudos por parte de universitários brasileiros e estrangeiros.

Tudo indica que apesar da modernização, ou por causa dela a literatura de cordel ainda mantém um grande público, cujas aspirações, reações e emoções certamente, continuará a expressar. Permanece como forma de entretenimento, fato que pode ser observado junto a tantos migrantes, em São Paulo ou no Rio de Janeiro, que se deleitam quando lhes caem em mãos folhetos conhecidos e, às vezes, ainda guardados de cor.

Inspirações para escrever o cordel:
Antonio Conselheiro ( 1830/1897) – O movimento social com fundo religioso de maior expressão no Brasil que está ligado a Antonio Conselheiro Vicente Mendes Maciel, mais conhecido Antonio Conselheiro. De origem humilde, identificou-se como beato por volta  de 1870, passando a pregar no sertão nordestino.

Barbatão – Touro bravio, criado nas matas.

Batatão – Mito brasileiro, explicativo do fogo-fátuo ou fogo de Santelmo, no Ceará é descrito como uma bola de fogo que persegue os viajantes.

 Beatos – Afigura do beato era comum no Nordeste. Sua origem está relacionada com as atividades do Padre José Maria Ibiapina, que fazia peregrinações e obras de caridade pelo sertão, motivando o surgimento de novos beatos pelo sertão intensificando a religiosidade.

Frei Damião (1898/1997) – Missionários  ordem do capuchinhos, realizava peregrinações pelo Nordeste.
 Fósseis – A bacia sedimentar na região do Cariri é dos mais importantes depósitos de fósseis no mundo, devido a quantidade e qualidade de preservação dos exemplares ali existentes.

Gonzagão (Luiz Gonzaga – 1912/1989) – Nasceu em Exu, Pernambuco. Desde criança se interessou pela sanfona de oito baixos do pai a quem ajudava tocando zabumba e cantando em festas religiosas e forrós.

Padre Cícero (1844/1934) – Nascido na cidade de Crato, no Ceará, deu início ao sacerdócio junto à população pobre de sertanejos, num povoado marcado pela violência e pobreza. Sob sua liderança, esse lugar alcançou notável desenvolvimento transformando-se na cidade de Juazeiro do Norte.

Getulio Vargas presidente e sem falar em Lampião e seus cabras...

Pioneiros da poesia de cordel

Silvano Pirauá de Lima (1848/1913) – Introduziu várias inovações na cantoria; no tempo em que esta ainda seguia a linha tradicional da quadra (quatro versos ou quatro linha), sentiu necessidade de expandir as idéias e introduziu a sextilha (seis versos).

Leandro Gomes de Barros (1865/1918) – Soube aliar sua vivencia de poesia vinda da mocidade  tornando-se, autor, editor, proprietário e desenvolvia sua histórias em mais de um folheto, ou publicava várias num só folheto.

Francisco Chagas Batista (1882/190) – Cantador da região do Teixeira.

João Melchíades (1869/91933) – Cantador da região do Teixeira.

João Martins de Athayde (1880/1959) – Poeta-editor que comprou da viúva de Leandro Gomes de Barros os direitos autorais do poeta. – Durante 30 anos foi o maior editor de folhetos do Recife. Modernizou a produção, dando-lhe as feições que tem hoje.
Bibliografia:
Meyer Marlyse – Autores de Cordel/seleção de textos e estudo crítico – São Paulo: Abril educação, 1980.

Holanda Arlene – Livro Cordel de Trancoso – Ministério da Educação FNDE/PNBE – 2010.


O Cordel na Sala de Aula: ampliando o repertório dos estudantes e desenvolvendo o comportamento leitor

A Revista Nova Escola de junho/julho 2011 traz uma importante reflexão acerca da literatura de cordel em sala de aula. A matéria “Ler por prazer no ritmo do cordel”, de Cyntia Calhado, é muito interessante e, além da tarefa de informar sobre a riqueza da literatura de cordel, a autora contribui com os professores na medida em que fornece uma maravilhosa sequência didática sobre o famoso cordel Pavão misterioso, de José Camelo de Melo Rezende.
A intenção de trabalhar o cordel em sala de aula não é simplesmente o de retratar um gênero literário típico do Nordeste brasileiro, mas é acima de tudo um instrumento que propicia o gosto e o hábito da leitura nos jovens. Para tanto se faz necessário reconhecer as características específicas dos folhetos, suas mais variadas formas de escrita, a musicalidade presente nas rimas, o usos de regionalismos e metáforas.
Cyntia Calhado propõe 8 passos descritos em reposta aos questionamentos que surgem quando se pretende estudar o cordel em sala de aula, além disso vão auxiliar o professor a otimizar a tarefa. As perguntas que devem ser pensadas são: 1- Qual é a melhor maneira de ler a poesia de cordel para os alunos em sala de aula? ; 2-E os estudantes, como devem fazer a leitura? ; 3- Depois de ler, o que discutir com as crianças? ; 4-De que forma explicar palavras fora do padrão? ; 5-Como abordar regionalismos e metáforas? ; 6-Quais devem ser os critérios na hora de selecionar os textos que serão lidos? ; 7-Dá para trabalhar o cordel no início da alfabetização? ; 8-Onde encontrar boa literatura do gênero?

Revista Nova Escola. Junho/Julho 2011. n:243. Ano XXVI.



http://www.youtube.com/watch?v=Pv8x3ulR9RA&feature=related


Caminhos diversos sob os signos do cordel 

A literatura brasileira é muito diversificada, principalmente quando é escrita pelo e para o povo. A literatura de cordel é um grande exemplo de riqueza das manifestações artísticas do povo brasileiro, sendo fonte de inspiração para o cinema, para a novela, o teatro, as artes plásticas dentre outras. Fomentando dessa maneira a produção de livros que contribuam para a informação, manutenção e deslumbramento da literatura de cordel em nossa sociedade.

O livro “Caminhos diversos sob os signos do cordel” faz parte do acervo do Programa Nacional Biblioteca da Escola – PNBE/2010, encaminhado às bibliotecas de todo o Brasil.
Tendo por objetivo disseminar a literatura de cordel é que o autor cearense Costa Senna escreveu esse livro tão cheio de poesia e imagens de xilogravura. Costa Senna nasceu e viveu no Ceará, porém, desde 1990 vive em São Paulo e, além de poeta popular, o autor é músico e ator.

O livro é uma publicação da Global Editora, possui 160 páginas, foi organizado por Marco Haurélio Fernades Faria, ilustrado por Jô Oliveira e apresenta 18 folhetos de cordel escritos sob os mais diversos assuntos.
No cordel “Nas asas da leitura” o autor nos apresenta a história da escrita fazendo uma longa trajetória até abordar o livro e sua importância. A seguir um trecho retirado desse folheto:

"Neste cordel falarei
Sobre o meu melhor amigo,
Que me ajuda a encontrar
Lazer, trabalho e abrigo.
Desde meus primeiros anos,
Ele é parte dos meus planos
E segue sempre comigo

Leio livro em minha cama,
Em ônibus, metrô ou trem,
Em navio ou avião,
Ou mesmo esperando alguém.
Leio para o povo ouvir.
Leio para transmitir
A riqueza que ele tem

Eu sou amigo do livro
Desde quando menininho.
Ele me dá auto-estima.
Na leitura me alinho,
Acho razões pra lutar,
Com virtude, retirar
As pedras do meu caminho.

Há cinco mil e quinhentos
Anos, a Ásia surpreendeu,
Pois, criando o alfabeto,
A escrita apareceu.
Veja só que linda ação,
Foi aí dessa união
Que nosso livro nasceu."

Em “Lembrando o Brasil caboco”, “Sem terra” e “Nas quebradas do Sertão” estão presentes as recordações boas e ruins de Costa Senna no Nordeste brasileiro e em São Paulo. Também com um traço de biografia o folheto “Cante lá e cante cá” resgata a vida e obra de Antônio Gonçalves da Silva (Patativa do Assaré).
A composição poética “Viagem ao mundo do alfabeto” é um ABC, no qual “cada estrofe é iniciada por uma letra do alfabeto, o que favorece – ou favorecia – a memorização nas comunidades que mantêm - ou mantinham – como traço marcante a oralidade”. (SENNA, Costa. pg. 11. 2008)
Enfim, o livro é um convite ao conhecimento e embelezamento no mundo dos folhetos de cordel. É um excelente apoio às proposições pedagógicas que retratem a cultura nordestina e sua diversa e rica manifestação cultural.

SENNA, Costa. Caminhos diversos sob os signos do cordel. Editora Global, São Paulo, 2008.

Lampião e Lancelote

O que poderia acontecer se o nosso famoso cangaceiro do sertão nordestino se encontrasse com um dos cavaleiros medievais da Távola Redonda do Rei Arthur? Este encontro mais do que inusitado fez com que o ilustrador e autor Fernando Vilela compusesse uma obra extremamente original, mesclando linguagens diversas: em verso, na sextilha do cordel sertanejo, e em prosa, no tom das narrativas épicas da cultura medieval; em carimbo e xilogravura. O confronto entre Lampião e Lancelote se estende nas cores especiais que vêm preencher as páginas: o prata e o cobre, em contraste com o negro, compondo imagens de uma beleza plástica deslumbrante. O livro ainda traz um glossário de termos e um texto explicativo sobre as referências de Vilela para desenvolver esta obra grandiosa, no tamanho e no talento. O resultado, como diz Braulio Tavares no texto de quarta capa, "é uma aventura visual e poética à altura das duas culturas que a inspiraram".


3ª reimpressão, 2009
Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) 2008




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